Vocalizando Saudade
Quase dormindo escuto João, não o meu, o Bosco, a falar de Aldir e suas poéticas letras.
Emoção que brota, por eles que poetizam lindamente e por Americano, amigo partido daqui, hoje nas asas do céu azul anil, de Aldir e Deus.
Ah! Quantos acordes ouvimos dele. Violão que falava música, dedilhado por tão fiel discípulo do Mestre Bosco.
Pois é, por ele me tornei fã apaixonada e emocionada deste João, que a mim parece tão “Americano”, o negão da calça justa de Jorge Ben e Naná Vasconcelos, cachos na cabeleira grisalha de anjo preto, amado amigo que tão cedo se foi.
E o outro discípulo, Pedro, o Bial, com embargada voz, recita letras de outro santificado, o Blanc.
Quanta emoção, de sentimentos alcançados pelos acordes, palavras e lembranças. Imagens de tempo feliz que a juventude garante, tempo em que estávamos todos neste mundo de meu Deus, Americano, João e Aldir.
Hoje dessa lista tríplice resta um, como o jogo de tabuleiro, deixando os demais espaços vazios, tal qual gengivas expostas e sangrantes após extrações a ferro, de seus pertencidos.
Ah! Quantos acordes nos faltam a nós boêmios de Ilhéus e Itabuna, pela falta do negão Americano. E o que mais? Faltam a poesia de Aldir e a minha juventude, não morta como aqueles outros, mas distante, como distantes estão tão perto o anjo preto Americano e o médico de poesias Aldir.
O que nos resta? Firmarmos o ponto em oração a Omulu, por Gabriel, o Santiago, que de tanto dedilhar seu violão enquanto vocalizava clássicos da MPB, se vê com falta de fôlego, tirado pela pinaúna viral que assola o mundo.
Sigamos adiante com ele, o anjo Gabriel que é frescor artístico da juventude musical grapiuna, que reinventa sons e arranjos e nos garante mantermos vivos os Americanos e Blancs, também enriquecidos pelos acordes criativos dos Boscos. Discípulos e anjos: Americano, Aldir, João, Pedro e Gabriel juntos e vivos nas lembranças e fotos e músicas e poesias e criação e amor.
A autora Elza Ramos é publicitária, pedagoga e iyalorixá